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diasdechocolate

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Estado de espírito dos últimos dias: este. 

Por mais voltas que dê (à cabeça), por mais que pense que os sonhos se concretizam, a única coisa que parece avançar são os dias e o sentimento de vida perdida. Estes maus momentos superam-se (espero eu) mas são duros. Devem servir de aprendizagem mas levam ao desespero. Carregam de nuvens todos os pensamentos, sugam a motivação e a alegria...tiram vida! Tenho que dar um pontapé nisto, urgentemente. Não há pachorra para (sobre)viver assim, na incerteza de um trabalho, na falta de convívio com outros, na falta de rotina diária que estimule a mente e o corpo!

 

Os labirintos têm sempre saída?

Nesta luta desenfreada por um trabalho, há dias melhores do que outros. Se, por um lado, há uma grande motivação para contrariar o enguiço, por outro, surge a desmotivação quando quase todas as respostas que chegam são negativas ou desonestas. Lá escapa uma ou outra mas a verdade é que, quando penso no futuro, só me apetece chorar. Trabalhar a recibos verdes é mau, pior é trabalhar a recibos verdes umas horas aqui e ali....Hoje é daqueles dias...maus. Talvez por ter dormido pouco, talvez por não conseguir mais respostas, talvez por esta situação se arrastar há já três semanas. Procuro novos locais, envio currículos, entrego-os pessoalmente, pergunto a pessoas mas o resultado é o mesmo. E isto desmotiva. Não se deve deitar a tolha ao chão mas a sensação de estar num labirinto sem encontrar um indício de saída é aterrador. O facto de ter demasiado tempo livre também não ajuda. Gosto de sentir a agenda cheia, de fazer listas com todos os afazeres para não me passar nada, mesmo que o trabalho seja uma porcaria mas ocupa o tempo. E ocupar o tempo é ocupar a cabeça e cabeça ocupada faz-me mais produtiva, criativa e, claro, mais feliz!

Gostaria de ser como aquelas mentes luminosas que no meio da catástrofe conseguem desenvolver uma ideia que as realiza e dá frutos mas a minha lista de talentos não vai muito para além de colher sangue e fazer panquecas mais ou menos bonitas. Tenho os meus sonhos só que acho que não lhes deposito confiança que chegue (estupidez, eu sei mas o pessimismo é a minha pior qualidade). Gostaria de criar algo meu, de ter algo meu mas até lá há muito caminho a percorrer. Há quem diga que pudemos ser o que quisermos...será mesmo assim? Os que vencem são os que nunca desistem, os que têm sorte ou os que combinam os dois fatores? Triunfar é fazer mais do mesmo, fazer diferente, fazer melhor ou fazer o que se acredita? Acreditar e lutar chega para alcançar alguma coisa? Há momentos em que tudo parece possível e há uma onda de motivação que me invade, depois há também o reverso da medalha que é amargo de ultrapassar! Tenho exemplos de tudo mas tenho exemplos bem próximos de muita resiliência que deram frutos após duras batalhas mas sinto que a cada pequeno passo que dou, dou também um tiro em cada pé e não chego a lado nenhum! Recomeça-se quantas vezes quando se falha? Quando é que se sabe que não vale a pena investir mais em alguma coisa? Como é que se recomeça?

 

É o que eu digo, estou num labirinto...e o pior é não saber se ainda estou no início....

Procura de trabalho em Portugal: um pequeno mas incrível mundo de idiotas

Depois da proposta: enfermeiro faz tudo e limpa a clínica toda no fim do trabalho, eis que ontem me voltei a cruzar com um atrasado mental com o título de doutor. Então vejamos: o senhor (doutor) começa a entrevista avaliando o currículo e vendo as áreas nas quais já trabalhei. Concluída está análise, lança a seguinte pérola:

-Como sabe, esta é uma clínica dentária e médica e, na realidade, eu preciso é de uma assistente dentária, mas como aparece de vez em quando uma injeção para dar, dá-me jeito que também seja enfermeira.

Começamos logo bem! O senhor (doutor) prossegue:

- Aqui pretende-se que faça o seu trabalho de enfermeira, embora o trabalho seja residual, de administrativa e de assistente de dentária. Já vi que não tem qualquer formação em assistente de dentária (porque será...) mas nós aqui damos a formação. Durante uns dias, acompanha a colega que cá está e depois convém estudar um bocadinho os materiais e os procedimentos nos momentos parados que tenha para que saiba o que o dentista lhe está a pedir. Depois, no final, faz um testezinho para saber se aprendeu alguma coisa!

Até aqui, não parece uma proposta de m*rda. Mas não se iludam, a proposta era mesmo uma m*rda. E porquê? Porque durante o período de formação, a clínica não pagaria nada. Na-da! Na-da de na-da! A cereja no topo do bolo foi quando o senhor (doutor) disse que a última colega a entrar na clínica tinha estado em formação quatro semanas. Repito: quatro semanas. Mas o meu tempo de formação poderia ser superior, tudo dependia da minha aprendizagem! Não sei muito bem onde tinha deixado os neurónios para não ter reagido no momento e lhe ter dito redondamente que não aceitava mas acho que o meu cérebro já se começou a habituar a propostas idiotas e já não faz a triagem entre o digno e o ridículo a ponto de ter dito que iria hoje ver como seria. Burra, burra, burra!!!

Mal entrei no carro, comecei a esfriar as emoções e a pensar em alguns aspetos. Em primeiro lugar, porque razão alguém deve trabalhar sem receber. Se é trabalho, pressupõe um pagamento previamente acordado entre trabalhador e entidade, seja em dinheiro ou noutra coisa qulquer. Mesmo que o trabalhador esteja em formação pois se a empresa entende dar a formação ao funcionário é porque entende que ele irá melhorar o seu rendimento e, desta forma, a empresa também é beneficiada. Depois, eu também tenho as minhas despesas. Vivo com os meus pais, é um facto, mas tenho um carro (que não consome água, infelizmente) tenho que me vestir, calçar, carregar o telemóvel, comprar os meus cremes e as minhas tretas. Coisas que as pessoas normais costumam fazer quando trabalham e as empresas onde trabalham lhes fazem aquela coisa do pagamento no final do mês ou, no mais tardar, no início do outro mês! Porque é que aquele senhor (doutor) então considera que no final das suas consultas os clientes lhe devem pagar o serviço e os enfermeiros no final do mês não têm direito a receber o seu dinheiro. Ainda por cima, contrata-os para serem muito versáteis e muito pouco enfermeiros....

Depois, gostava de saber porque raio as pessoas se sujeitam a trabalhar sabe-se lá quanto tempo sem ganhar um cêntimo? Não me venham com a treta que as pessoas precisam e não têm nada e têm de aproveitar tudo porque, nesta situação, não iriam ganhar absolutamente nada e ainda seriam sujeitas a um teste no final que poderia ditar que não ficassem caso o resultado não fosse o melhor! Acredito que em todas as áreas isto aconteça mas, especificamente com os enfermeiros, isto é uma tourada. Para além de sermos aos milhares para umas centenas de trabalhos, a malta tanto quer trabalhar "na área" que se sujeita a condições ridículas e, para além de degradarem as suas condições de trabalho, degradam as condições daqueles que lhes vão suceder! Ninguém lhes agradece o esforço nem a dedicação porque gente que oferece condições destas e depois e se passeia em carros topo de gama, veste roupas caras e vive em casas de luxo, não tem a mínima noção do que é ganhar tostões para fazer face a todo um mês de despesas. Gente pobre, esta. Mas pobre de espírito, como se costuma dizer!

 

 

 

P.S.: Quanto à tarde de formação de hoje, não apareci, não avisei e não me apetece avisar. É mau. É pouco educado mas não está nem perto do nível da pouca educação deste senhor (e de outros) que se gabam de serem médicos, dentistas ou outra merda qualquer mas a sua verdadeira ocupação é  aproveitarem-se do trabalho de outros!

Domingos de manhã bons

O domingo é, para uma boa parte das pessoas, o dia de descanso mas, na minha humilde opinião, a manhã de domingo deveria ter o estatuto de sa-gra-da! Tem um cheirinho especial...e a possibilidade de "ronhar" neste dia tem um sabor diferente de "ronhar" nos outros embora a minha ronha nunca dure mais de 10 ou 15 minutos porque, na verdade, salto logo da cama!

Puder disfrutar de um pequeno almoço bom, sem pressas, com a família, a partilhar conversas, detalhes, momentos, já é uma manhã maravilhosa. Se for domingo, é perfeito. E a semana será bem melhor!

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É nestes momentos que tenho a real dimensão do que importa...partilhar o meu tempo com aqueles que adoro, fazê-los rir, falar de coisas estúpidas e outras mais sérias. A vida é melhor assim!

Esta imensa vontade de mandar tudo à m*rda

A saga: procura intensiva de trabalho continua e tenho andado a distribuir currículos à maluca na esperança de me aparecer qualquer coisa minimamente séria, digna e que me permita aprender. Por sorte ou coincidência, o primeiro local onde fui entrgar, confirmou precisar de enfermeiros. "Boa!" Pensei eu. Pelo menos não levei um não redondinho mas, desconfiadinha como sou, achei logo que era muita sorte para a minha pessoa. Ainda assim, lá aguardei o telefonema para agendar entrevista. Foi esta manhã e as minhas suspeitas confirmaram-se: era muita sorte ser uma proposta completamente decente! Mas até começamos muito bem. Ora vejamos: oferecem contrato de trabalho (boa! estou fartinha de recibos verdes), as funções que exigem são importantes para ganhar mais experiência (boa!), o horário é porreirinho e até permite ter quase os fins de semana e feriados livres (boa!) e é pertíssimo de casa (boa!). Tudo de bom, como dá para ver mas, como é óbvio, voltei a achar que seria bom de mais, que seria muita sorte para mim conseguir um trabalho nestas condições (apesar de tentar contrariar, sou um nadinha pessimista)....até que a senhora me diz: "Tenho que lhe fazer uma questão. Quem fecha a clínica, antes de sair, tem de fazer limpeza às instalações, não sei se estará disposta a isso...(entenda-se por instalações os gabinetes, o bloco operatório, a receção, os wc's...). Fiquei um bocado perplexa com aquilo e a senhora parecia tão envergonhada que disse de imediato que não existia empregada de limpeza na clínica e que tinha a obrigação de me informar disso! Lá rematou que a limpeza seria entre a auxiliar e o enfermeiro (talvez para tentar que me sentisse acompanha nas limpezas). Estive a uma unha negra de lhe perguntar se os Senhores Doutores também colaboravam nas limpezas, já que sujam como os outros as ditas instalações mas o meu lado racional bloqueou de imediato a intenção do lado emocional. Fiquei uns segundos sem dizer nada, dividida entre mandar a senhora para outro lado e não estragar logo tudo nos primeiros minutos de entrevista. Acabei por dizer que aceitaria as condições mas saí da clínica com o sentimento de humilhação. Não por limpar o chão ou os wc's porque também o faço em casa sem qualquer espécie. Senti-me humilhada porque o descaramento das empresas não tem medida e porque todos os trabalhos que tive até agora ficam sempre muito aquém do que gostaria. Não quero um emprego, não quero um salário milionário. Quero apenas um trabalho onde seja enfermeira e onde as funções sejam da profissão mas parece que, para isso, ainda terei de arranhar mais uns tempos...

Hoje vai ser um bom dia, hoje vai ser um bom dia, hoje vai ser um bom dia....

Acordar cheia de sono mas ainda assim calçar as sapatilhas e lutar contra a vontade de continuar a dormir. Fazer exercício físico é, de facto, das melhores formas de provar a nós mesmos que somos capazes de tudo. Pequeno-almoço no bucho (e que pequeno-almoço!), o telefone toca com boas notícias (yeahhhh) e o sol brilha para acompanhar o belo do meu café. Tudo pronto para sair e procurar novas oportunidades com o mantra na cabeça: hoje vai ser mesmo um bom dia!!!

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Créditos de imagem

De novo no mercado

Voltei à estaca zero, que é como quem diz, estou à procura de trabalho. Pensei que tinha finalmente encontrado um lugarito onde poderia permanecer algum tempo e aprender mais mas isso não aconteceu. Recusei um contrato porque a minha saúde e a dignidade me pesaram muito e agora é hora de me mexer para não perder o ritmo. Foram seis semanas de muito trabalho e pouco descanso e desde domingo tenho dificuldade em ocupar o tempo... Por um lado, agrada-me esta mudança de rotina e o sabor de algum tempo livre, por outro, fico apreensiva a pensar quanto tempo poderá durar esta pausa forçada. Sou um pouco avessa a mudanças muito radicais porque gosto do meu espaço, do meu conforto, da minha (des)ordem e gosto, acima de tudo, de me sentir útil e independente. Prevejo uma jornada difícil mas vai correr tudo bem...2017 vai ser um excelente ano!

Ciclos de vida

Os primeiros meses do ano foram....intensos. Uma nova porta profissional abriu-se, pensava eu para durar um pouco mais, mas fui obrigada a bater com ela antes que a saúde mental fosse afetada.

Foram diversas as situações que me faziam pensar no dia-a-dia nestas cinco ou seis semanas que trabalhei num hotel sénior, que é como quem diz, num lar para gente com dinheiro (muito dinheiro). Entre elas o tratamento dado aos clientes. É certo que os idosos são uma população susceptível a maus tratos (físicos ou psicológicos) devido ao estado de saúde mais frágil mas presenciar estes abusos é uma realidade dura mesmo tendo passado por outros locais onde as condutas eram semelhantes. A conclusão que tenho chegado é que, por muito que se pague, há sempre muita coisa que falta. Primeiramente, dignidade, privacidade, liberdade até....depois, o sentimento de pertença que se perde ao viver num espaço diferente daquele que se viveu, na maior parte dos casos, durante toda a vida. Das quase sessenta pessoas que lá vivem, creio que só encontrei três ou quatro que gostavam de lá estar, sendo que os critérios para gostar passam apenas por ter comida na mesa (e doces, de preferência), cama, roupa lavada e água quente para um banho. Chocava-me que num ambiente tão requintado a nível de infraestruturas houvesse tanta pobreza de caráter na sua gestão, tanta negligência no trato e no afeto e tanta prostração. Aqueles idosos passavam o dia entre o sofá e a cadeira do refeitório e, lá de vez em quando, num qualquer dia comemorativo de qualquer coisa, fazia-se uma festa só para fazer fotos que dessem boa publicidade no facebook. Lamentável!!

Ouvimos notícias de maus tratos a idosos, de idosos mal nutridos nas instituições e numa população senior doente e muito dependente de terceiros mas é a realidade que se proporciona nestes locais (na maioria, vá). Dei por mim a pensar muitas e muitas vezes no significado da vida para aquelas pessoas. Se há pensamento que me assusta é pensar na perda de capacidades e tentava imaginar-me como aquelas pessoas: sentada num sofá, todos os dias, sentindo-me abandonada e a olhar para as mesmas caras na expectativa da próxima refeição. Como poderiam ter qualidade de vida? Como poderiam nao desenvolver doenças degenerativas? Como poderiam não estar deprimidos? Choca-me esta indiferença, esta forma de cuidar despreocupada....Acredito que os anos de trabalho, o cansaço e a desmotivação potenciem estes comportamentos mas exige-se mais respeito por aquelas pessoas. E, infelizmente, há muita gente que vive do dinheiro e dos bens destas pessoas e continue a sua vida de forma luxuosa e desavergonhada! 

 

* É claro que há sítios maravilhosos onde os velhinhos são tratados como reis, onde os acarinham e os potenciam em vez de contribuirem para o declínio físico e cognitivo. O problema é que são raros!

Isto um dia tinha que acontecer...

Depois de 14 dias a trabalhar sem folgas durante 14, 15, 16 horas no meu novíssimo local de trabalho, ontem seria o dia em que voltaria aos outros dois trabalhos. Acordei cedinho (como sempre), engoli o pequeno-almoço e pus pés ao caminho. Lá fui todo o caminho em versão "pepe rápido" para cumprir a hora, até que cheguei à clínica e...SURPRESA... não estava escalada para trabalhar! Bravo, Ana!! Levantaste-te toda rotinha e cheia de sono para nada! Dei dois dedos de conversa só para não me vir embora sem dizer nada e pus-me de novo a caminho de casa! A ver se ganho juízo e se isto não me acontece de novo ou, pelo menos, tão cedo!!

Coisas boas...acontecem

Tive e tenho uma fezada que 2017 seria um bom ano e todos estes dias de ausência são a prova de que, pelo menos, algo mudou. Era isso mesmo que queria. Uma mudança, uma pequena mudança que servisse de abanão para mim. Para me motivar, para me fazer pensar, para me fazer pôr pernas ao caminho com mais convicção. Felizmente, surgiu uma nova oportunidade de trabalho, assim quase caída do céu, de um dia para o outros! Esta é a oportunidade de me sentir mais útil no dia a dia, de fazer mais pelo outros, fazendo mais por mim também. Já lá vai uma semana de trabalho duro. Muitas coisas boas, muitas pessoas novas, muitas coisas que vão mudar, que vão exigir mais de mim mas esta pressão saudável puxa por mim e faz-me sentir mais viva e motivada. Ser (e estar) feliz é, sem dúvida, a melhor motivação que se pode ter! E, se a minha intuição não me engana, esta será a primeira de algumas boas mudanças (pelo menos, quero acreditar nisto)!

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