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diasdechocolate

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Esta imensa vontade de mandar tudo à m*rda

A saga: procura intensiva de trabalho continua e tenho andado a distribuir currículos à maluca na esperança de me aparecer qualquer coisa minimamente séria, digna e que me permita aprender. Por sorte ou coincidência, o primeiro local onde fui entrgar, confirmou precisar de enfermeiros. "Boa!" Pensei eu. Pelo menos não levei um não redondinho mas, desconfiadinha como sou, achei logo que era muita sorte para a minha pessoa. Ainda assim, lá aguardei o telefonema para agendar entrevista. Foi esta manhã e as minhas suspeitas confirmaram-se: era muita sorte ser uma proposta completamente decente! Mas até começamos muito bem. Ora vejamos: oferecem contrato de trabalho (boa! estou fartinha de recibos verdes), as funções que exigem são importantes para ganhar mais experiência (boa!), o horário é porreirinho e até permite ter quase os fins de semana e feriados livres (boa!) e é pertíssimo de casa (boa!). Tudo de bom, como dá para ver mas, como é óbvio, voltei a achar que seria bom de mais, que seria muita sorte para mim conseguir um trabalho nestas condições (apesar de tentar contrariar, sou um nadinha pessimista)....até que a senhora me diz: "Tenho que lhe fazer uma questão. Quem fecha a clínica, antes de sair, tem de fazer limpeza às instalações, não sei se estará disposta a isso...(entenda-se por instalações os gabinetes, o bloco operatório, a receção, os wc's...). Fiquei um bocado perplexa com aquilo e a senhora parecia tão envergonhada que disse de imediato que não existia empregada de limpeza na clínica e que tinha a obrigação de me informar disso! Lá rematou que a limpeza seria entre a auxiliar e o enfermeiro (talvez para tentar que me sentisse acompanha nas limpezas). Estive a uma unha negra de lhe perguntar se os Senhores Doutores também colaboravam nas limpezas, já que sujam como os outros as ditas instalações mas o meu lado racional bloqueou de imediato a intenção do lado emocional. Fiquei uns segundos sem dizer nada, dividida entre mandar a senhora para outro lado e não estragar logo tudo nos primeiros minutos de entrevista. Acabei por dizer que aceitaria as condições mas saí da clínica com o sentimento de humilhação. Não por limpar o chão ou os wc's porque também o faço em casa sem qualquer espécie. Senti-me humilhada porque o descaramento das empresas não tem medida e porque todos os trabalhos que tive até agora ficam sempre muito aquém do que gostaria. Não quero um emprego, não quero um salário milionário. Quero apenas um trabalho onde seja enfermeira e onde as funções sejam da profissão mas parece que, para isso, ainda terei de arranhar mais uns tempos...

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