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diasdechocolate

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Portugal (no seu pior)

Habitualmente, política é assunto que não falo muito por aqui. Estou informada da maioria dos assuntos só que a discussão não vai além do almoço ou jantar porque me irritam demasiado. Nos últimos tempos então os motivos têm sido para lá de muitos. Tudo começou a descambar com o BES, depois o Citius, seguiu-se este jogo idiota de colocação-não colocação de professores e a mais recente novidade é o aumento salarial de mil euros (sim, mil euros) para os juizes. Parece anedota, não parece? Pois parece, o problema é que não é! No caso do Citius e da colocação de professores deu para perceber que era era tudo bem sério quando os ministros pediram desculpa no Parlamento. (Não me venham com a treta que é humano pedir desculpa porque, a este nível, revela simplesmente incompetência.) No caso da colocação dos professores é isto todos os anos, não entendo como ainda ninguém abriu os olhos e percebeu que esta colocação não pode ser realizada em Setembro. Em Setembro têm de começar as aulas. E não deve ser uma fórmula a causar o caos. É necessário revê-la várias vezes, por várias pessoas para minimizar estes problemas. Porque, no fim de contas, são vidas que estão em jogo: crianças que deveriam ter aulas e não têm, professores que deveriam estar a leccionar e não estão e pais que deveriam estar a trabalhar (os que têm trabalho) e passam o dia em manifestações para que os filhos tenham todos os professores disponíveis. Já lá vão três semanas do início do ano lectivo e parece que esta questão está ainda longe de ser resolvida. O ministro está tranquilo, o primeiro-ministro demonstra preocupação com um sorriso na cara e garante que não o demite e o presidente da república (que deveria ter mais juízo que o governo todo junto) nada diz sobre isto. Na realidade, também não diz nada sobre os assuntos mais importantes, já nos devíamos ter habituado a esta (falta de) postura da figura política mais "importante" do país. 

Na Justiça, o que mais me incomoda na reforma é o fecho de tantos tribunais, principalmente em zonas do interior do país, que sabemos serem zonas muito envelhecidas e desertificadas, o que nos permite concluir facilmente que estas pessoas não terão disponibilidade de tempo, saúde e dinheiro para recorrer à justiça. Outra coisa que me irrita particularmente são os gastos de todas estas alterações. Táxi para as deslocações dos funcionários judiciais, aluguer de contentores enquanto decorrem obras em vários tribunais, transporte dos processos em papel (a quantos faltarão páginas?) e em tudo isto se gastam milhares (milhões) de euros que, provavelmente, se poupariam se a reforma se fizesse aos poucos. Não sou muito a favor de mudanças repentinas, principalmente estas que são das grandes! Ainda na Justiça, a mais recente novidade é este aumento salarial de mil euros para os juízes. Para o salário mínimo foi uma guerra aumentá-lo em vinte euros, para os juízes (que ganham uns quatro ou cinco salários mínimos) acrescentam-se mais mil. Assim, sem qualquer negociação. Fico incrédula com esta dualidade de critérios. Não é pelo aumento do salário, é pelo facto de não ser para todos e por o valor do aumento ser muito superior à média dos vencimentos de quem trabalha e tem todo o direito de se sentir injustiçado com esta notícia!

Tudo isto parece uma anedota: a elevada taxa de desemprego, as condições de trabalho degradadas e a destruição da saúde, justiça e escola públicas que não sei onde nos podem levar! Fico indignada com estas notícias porque gostava mesmo de viver num país mais justo, mais equilibrado, mais digno. Sei que é impossível resolver os problemas de todas as pessoas mas tenho a certeza que é possível fazer muito mais do que está a ser feito agora!