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diasdechocolate

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Prós e Contras

Certamente conhecem o Prós e Contras da RTP. Ontem tinha como tema a opção entre ficar ou sair de Portugal. Uns a defender que sim, que Portugal ainda tem muito para dar (incluindo Miguel Gonçalves, aquele empreendedor que em cada frase, diz quinhentos termos técninos em inglês só para nos abananar) e outros defendendo que não, que Portugal ainda precisa de mudar algumas ideias (e pessoas, talvez) para que se consiga oferecer condições para que as pessoas não saiam. Eu acho que o programa ficou aquém do esperado (e já achei isto em programas anteriores), porque nunca se discute o tema a fundo, nunca se discutem possíveis soluções ou alternativas e está tudo muito mais preocupado em contrariar a mesa oposta.

Coincidência das coincidências, ontem falei dessa questão aqui. E não há duvida que em relação ao tema do programa, eu acho que Portugal só é um país de oportunidades para empresários (e aqueles que têm muito dinheiro para investir capital próprio nas suas ideias) e pouco mais. A maior parte ganha uns miseráveis 400€ que os tais grandes empresários, ontem apelidados, deveriam ter vergonha de pagar. Sim, vergonha. Não acho justo que uma pessoa trabalhe 160 horas por mês, em dias de semana, fim-de-semana e feriados por pouco mais de 400€ e depois é ver os empresários a subir nos rankings de milionários e multimilionários. Para mim, não são estes os grandes empresários!

Voltando ao programa, o Miguel Gonçalves defendia que os portugueses deveriam ter ideias para com elas criarem empresas e riqueza. E eu concordo com isto, acho que só criando emprego (de qualidade) é que podemos crescer e melhorar a economia do país. O problema é outro: para este homem criamos empresas, segundo o seu discurso, empresas do ramo tecnológico porque neste momento são as melhores áreas de trabalho. Mas há uma coisa que eu gostaria que de facto tivessem discutido e nunca lá chegaram: o que acontece às outras profissões? Vemos enfermeiros, costureiras, médicos, trolhas, engenheiros, carpinteiros, arquitectos a sairem do país porque cá não encontram respostas. Seria boa ideia ter-se discutido qual o futuro de outras profissões para além de programadores, engenheiros informáticos e outras profissões que se adaptam a estas emrpesas. Como é óbvio, isto passou ao lado!

Ouviram-se vários testemunhos de pessoas espalhadas por toda a Europa que explicaram as razões que os levaram a sair. Não ouvi nenhum dizer que foi por vontade própria, foram porque cá não encontraram espaço para exercerem as suas funções com as condições e a dignidade que merecem e que lhes ofereceram lá fora. Todos disseram que querem voltar, mas querem voltar para um país mais crescidinho que não cometa os erros cometidos no passado e que esteja ao nível da restante Europa. Seria bom que conseguissemos fazer uma grande mudança no nosso país. Mudar algumas mentalidades derrotistas, banir as pessoas que puseram os interesses pessoais à frente dos nacionais e pensar em grande sempre mas com respeito pelos outros.

Quanto ao Prós e Contras, talvez não fosse má ideia repensarem a organização do programa para que se produza um diálogo mais aberto que não se foque apenas na contradição de argumentos mas na informação dos espectadores e na produção de soluções.

 

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